Cigarros, cerveja e Joe Cocker.

agosto 13, 2009

Bom, por mais que aqueles olhos verdes não saíssem da minha cabeça, a idéia de encontrá-los de novo já era algo distante.
Duas semanas já tinham passado e sair com os amigos parecia uma boa idéia.
Eles não eram bem meus amigos. Não daqueles que você sai toda semana, conta tudo e tem a liberdade de um falar da mãe do outro de brincadeira. Eram aqueles amigos que te chamam pra sair duas vezes por ano ou te encontram na rua e dizem: “Eai, tudo bem? Quanto tempo, né?” Mas eu realmente não me importo com isso e fui.
Um barzinho esfumaçado de cigarro e cheiro de cerveja velha derramada no chão sempre foi o tipo de lugar que me atraía então tinha tudo pra ser legal. Sem graça mas legal, sabe como é?
O lugar parecia aqueles Pubs ingleses que a gente vê em filmes. Cheio de caras com a barba mal feita tomando cerveja naquelas garrafas verde-escuro e ouvindo Joe Cocker.
Perfeito.
Perfeito até esse meu querido distante amigo ficar completamente bêbado e passar mau.
A gente levou o coitado pra casa dormindo um sono regados de sonhos pervertidos. Ele falava coisas que me fizeram rir alto.
O prédio onde ele morava ficava a alguns quilômetros da minha casa, num bairro mais rico que o meu.
Apertei a campainha e uma voz me perguntou o que eu desejava asperamente. Eu devo ter acordado o porteiro.
Expliquei a história e ouvi alguns resmungos do outro lado do interfone “De novo, vai to…”
Ouvi o estralo do portão abrindo e entrei. Passei pela portaria e um senhor de barbas brancas e um forte sotaque do interior nos disse que nós o levaríamos até o apartamento dele.
Aceitamos. Até porquê, até aquela hora, tudo era engraçado.
Subimos de elevador e tocamos a campainha do apartamento.
Alguns ruídos vindos lá de dentro denunciaram que alguém lá dentro já sabia exatamente o que estava acontecendo.
A porta abriu expondo uma garota de meias e cabelo um pouco despenteado.
E olhos verdes. Era ela.
Nosso olhar se encontrou por um instante que pareceu uma hora.
Eu soltei um ‘Oi’ tímido. Ela retribuiu olhando pro irmão sorridentemente bêbado e o puxou pra dentro.
O ‘obrigada’ dela foi rápido. A porta se fechou.
Como é possível?
Entrei no carro e pulei pro banco de trás e abri o vidro pro vento poder bater no meu rosto.
Como é possível?

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2 Respostas to “Cigarros, cerveja e Joe Cocker.”

  1. Lola said

    Amei o blog.

    Li todinho.

    Reli.

    Reli de novo.

  2. wonkonby said

    Me perguntaram, se eu apago todos os comentários, porque esse eu não apaguei? Desculpa, gente, mas minha vaidade não me deixou apagar esse ai de cima. haha’

    Obrigado, Lola! (quem quer que você seja!)

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